Oito de novembro de 2008, Festival de Mar del Plata. A mesma Kathryn passou quase anônima pelo certame cinematográfico argentino. Seu badalado Guerra ao Terror passou batido até mesmo para os correspondentes americanos presentes no evento.
– As imagens do filme, apesar de fortes, diluíram-se em meio à gigantesca programação – lembra a jornalista Ivonete Pinto, presidente da Associação de Críticos de Cinema do RS, que acompanhou o festival. – A beleza da diretora causou mais impacto que as cenas do filme. Os turistas, sem saber de quem se tratava, perguntavam quem era a “atriz”.
Essa lembrança ilustra o quanto foi fenomenal a carreira de Guerra ao Terror posteriormente. Com passagem discreta por festivais internacionais e pelos cinemas americanos, onde só estrearia em junho de 2009, o filme foi adotado pela crítica dos EUA como uma espécie de símbolo do atoleiro militar e político que aquele país vive no Iraque.
A própria trajetória de Kathryn também destoa um tanto da lógica hollywoodiana do Oscar. Ela não é um talento emergente, tampouco um nome consagrado por uma cinematografia sólida. Chamou a atenção dos fãs dos filmes de terror com seu segundo longa, o filme de vampiros Quando Chega a Escuridão (1987), seguido pelo policial Jogo Perverso (1989). Foi com o trabalho seguinte, Caçadores de Emoção (1991), que ela, então casada com James Cameron, ficou em evidência. Neste que até agora era seu trabalho mais conhecido, ela foi feliz em ambientar no universo do surfe um jogo de gato e rato protagonizado por um tira (Keanu Reeves) e um ladrão de bancos (Patrick Swayze). O thiller de ficção científica Estranhos Prazeres (1995), o suspense O Peso da Água (2000) e K-19: The Widowmaker (2002), filme de guerra capitaneado por Harrison Ford, são títulos que não sugeriam uma linha autoral que culminasse nessa consagração.
Consagração, aliás, que pode reconhecer o empenho de Kathryn em se firmar como realizadora de filmes que costumam ser vistos como típicos do universo masculino, recheados de ação e violência. Trajetória que parece contraditória para quem começou a carreira artística como uma artista plástica, ligou-se a movimentos de vanguarda em Nova York e ingressou no universo do cinema pelo ambiente acadêmico.
“Optei por ignorar as resistências que existem para as mulheres fazerem filmes por duas razões: não posso mudar meu sexo e me recuso a parar de fazer filmes. Deveria haver mais mulheres dirigindo, mas acho que não existe consciência de que é realmente possível. Mas é”, costuma dizer Kathryn.



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