O filme tem quase uma hora de duração e mostra o processo de produção da obra, além de entrevistas com algumas das “mestras” - como são designadas as artesãs seniores - que produziram os trabalhos artesanais tradicionais, disse à agência Lusa a autora do guião do documentário, Isabel Freire.
Depois da exibição no canal de televisão pública, o filme será mostrado seis vezes ao longo da exposição antológica da obra de Joana Vasconcelos que está patente no Museu Colecção Berardo desde segunda feira.
Bases de copos, toalhas com bilros, lençóis, toalhas de mesas e de lavatório são alguns dos trabalhos que a artista plástica adquiriu às artesãs de Nisa com as quais construiu diversas formas - entre elas uma cabeça, um coração, vários braços - que foram o trabalho final, exposto no edifício das Termas da Fadagosa, naquele concelho dos distrito de Portalegre.
O filme, realizado por Pedro Macedo e produzido pela Framed Films, revela uma “tradição única em Portugal”, que a própria Joana Vasconcelos quis homenagear com o seu trabalho, em que as mulheres produziam artesanato (enxoval) que vendiam antes do casamento para conseguir adquirir a casa onde iriam morar, contou Isabel Freire.
Essa tradição, entretanto abandonada, “dava-lhes um estatuto moral completamente diferente” do que era habitual noutras regiões do Alentejo, conquistando uma autonomia muito maior no casamento do que era então habitual na região, acrescentou a guionista e autora das entrevistas às artesãs.
O enxoval - que vendiam em vez de o levarem para a nova casa como era costume no Alentejo - acabava por ter um significado de emancipação da mulher e a peça produzida por Joana Vasconcelos uma homenagem a essa atitude, explicou ainda



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