Seja Nosso Parceiro (a).

Seja nosso parceiro de Banner entre em contato com nossa equipe e envie seu banner (l.hass@hotmail.com). As dimensões dos banners das parcerias serão tratadas caso a caso. -Clique aqui e entre em contato »

Lorem ipsum dolor sit amet, consectetuer adipiscing elit

Keep in touch

RSS Feed Twitter Facebook

Subscribe via email

Arte de dentro para fora

quarta-feira, 3 de março de 2010






Sonia Onate/DivulgaçãoO recanto tranquilo para produzir acabou se tornando o espaço de transformação da dimensão artística, a partir do contato com as manifestações populares, as mazelas sociais, e a possibilidade de abrir horizontes através dos traços profundos e inusitados. O documentário Temporal mostra em 13 minutos a incursão de Stephan Doitschinoff, artista de São Paulo, pelo vilarejo de Lençóis e a Chapada Dimantina, no interior da Bahia, onde a expressão artística foi impressa nas instalações e intervenções em fachadas de casas, muros, lápides, e até em uma capela. Stephan apresenta na capital mineira, nesta quinta-feira, as experiências vividas com o lançamento do filme, além do livro Calma – The Art of Doitschinoff, que mostra seus trabalhos anteriores, em um bate-papo aberto ao público no auditório da Escola Guignard, abrindo os eventos de 2010 da mini galeria de arte. 


“Eu já tinha estado na Bahia, e durante um ano de residência em um centro cultural em Manchester, na Inglaterra, desenvolvi o conceito deste projeto. Queria voltar para a Chapada Diamantina e Lençóis, com a ideia de pintar uma cidade, desenvolver uma série de instalações e intervenções. Fiz inclusive pinturas em uma invasão de propriedade do Movimento dos Sem-terra, o que culminou com o convite para restaurar uma igreja toda, a Capela de Santa Luzia, onde desenvolvi uma série de afrescos para dentro e fora”, conta Stephan.


 Veja mais fotos do trabalho de Stephan



Com uma obra intimamente ligada tanto à religiosidade e ao sagrado quanto ao profano e ordinário, uma das motivações do artista para o projeto foi o aprofundamento nos estudos sobre sincretismo religioso e as peças populares do folcore brasileiro. “Além de conhecer melhor a cultura popular da região, a intenção também foi estabalecer uma troca, recebendo as influências do local, mas deixando as minhas. O resultado do trabalho é um misto das influências que eu já tinha, do que já fazia, com um pouco do que bebi na fonte deles, do que eles propõem de cultura lá”.
Sonia Onate/Divulgação


Stephan destaca a possibilidade, durante o tempo de estadia no Nordeste, de ter feito parcerias com artistas locais para produzir peças para exposições no exterior. “Pude levar para a Califórnia e Nova York, por exemplo, um pouco da arte popular brasileira, com aqueles oratórios, as bandeirinhas”. A catarse estética se completa com o olhar do artista sobre a realidade social da região, que estende o trabalho para a sua função crítica, reflexiva, de registrar os sentimentos dos próprios seres humanos. “Não imaginava que a população sofria com tamanho descaso como encontrei. O descaso, a falta de amor próprio, a falta de autovalorização da população, o problema da hipersexualização das crianças e adolescentes, a hipervalorização da escultura do sexo e do sexo na música, na dança, nas roupas, como se essa fosse a verdadeira cultura brasileira, piorando ainda mais o problema da pedofilia e do turismo sexual que são fortes por ali. Acredito que tudo isso é muito estimulado pelo governo e pela mídia, colaboradores para a enxurrada de lixo que acaba embrutecendo o raciocínio das pessoas, que continuam julgando aquilo como a verdadeira cultura popular”.


Para o artista contemporâneo, com a obrigação de produzir, sobreviver, enfrentar a burocracia e as leis não muito estimulantes, como frisa Stephan, a responsabilidade de resolver efetivamente as questões sociais pode ser muito pesada, mas o poder da arte de suscitar novos pensamentos e chamar atenção é essencial, acredita. “Não tenho nada contra artistas que trabalham só com figuras plásticas, mas admiro muito também os que conseguem levantar algum tipo de reflexão. Não precisa nem ser uma coisa muito pesada, ou que vá causar choque, mas algum tipo de reflexão, porque a gente precisa de uma mudança urgente. E praticamente nada é feito. Tudo que a gente vê na mídia, o governo falando das melhoras, é mentira para ganhar voto. O artista deve questionar, mas não tem como resolver tudo. Claro que existem os que se doem completamente”, frisa. 


Já o livro Calma – The Art of Stephen Doitschinoff (editora Gestalten, 160 páginas) traz os trabalhos anteriores à temporada em Lençóis, além de mostrar outra faceta do artista, que assina cinco contos inéditos. “O livro é minha primiera monografia. É uma edição de luxo, com a capa dura em tecido, ganhou um prêmio em Hong Kong, e traz imagens das obras, textos de críticos de arte, uma entrevista, e contos que escrevi”. Saindo do ateliê, o debate para os entusiastas da arte é a oportunidade para deixar as obras prontas e as leituras feitas por críticos, e com a conversa abordar a periferia da área de criação, parte mais sutil e inconsciente do processo e que na maioria das vezes é o leme da produção artística, como afirma Stephan. “E os assuntos vão surgindo na medida da demanda do público. Em cada lugar que passo é diferente”.
Sonia Onate/Divulgação


Cultura na veia



Autodidata, o interesse de Stephan pela arte nasceu naturalmente, desde a infância, com o talento já enraizado. “Comecei a desenhar com quatro anos, aos 11, 12, fazia histórias em quadrinhos. Depois, com 15, 16, fui trabalhar como assistente de cenografia, e também entrei de cabeça no mercado de ilustração. Ganhei o prêmio Jabuti de ilustração, trabalhei com bandas grandes, americanas, fiz aqui a capa do disco do Sepultura”, conta apenas alguns passos o artista que já passou por renomadas galerias nacionais e internacionais com exposições solos e conjuntas, também vencedor do prêmio Artista Revelação da Associação Brasileira de Críticos de Arte (APCA) em 2009, e consagrado por sua participação na exposiçãoDe dentro para fora/De fora para dentro, no MASP. 


Sua próxima exposição acontece na galeria paulista Acervo da Choque em abril deste ano. O artista vai apresentar novos trabalhos que incluem telas, desenhos e instalações. Em agosto de 2008, Stephan expôs na mini galeria de arte junto com David Flores (Los Angeles), Tristan Eaton (Nova Iorque), 123Klan (França) e Kid Acne (Inglaterra), integrantes do coletivo Brothers in Arms.


Em BH, após a exibição do vídeo e do bate-papo, haverá sessão de autógrafos do livro (alguns exemplares serão vendidos no local) e de cartazes exclusivos, distribuídos no evento. A noite termina com festa no Uzina Restaurante & Lounge, com a presença do artista e surpresas da Evoke Eyewear, marca patrocinadora do documentário. O debate e a festa poderão ainda ser acompanhados ao vivo, via streaming, na página da mini galeria que lança, no mesmo dia, novo layout e endereço:www.minigaleria.com

0 comentários:

Postar um comentário

Advertiser 2